Bonnie Tyler - Total Eclipse of the Heart

Bonnie Tyler, voz rouca do rock, morre aos 75 anos 

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A notícia da morte de Bonnie Tyler aos 75 anos abalou o mundo da música nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026.  

A cantora galesa, cujo nome de batismo era Gaynor Hopkins, faleceu deixando um legado que atravessou mais de cinco décadas de carreira, marcado por uma das power ballads mais icônicas da história do pop rock. 

De uma infância tímida ao palco mundial 

Bonnie Tyler nasceu em 8 de junho de 1951 na pequena vila de Skewen, no País de Gales, filha de um mineiro de carvão. A timidez a acompanhava desde cedo. “Eu não teria coragem de dizer ‘bu’ para um ganso”, escreveu em suas memórias, Straight from the Heart. Aos sete anos, uma apresentação musical na igreja local despertou nela o desejo de cantar em público. 

Em 1975, foi descoberta no Townsman Club, em Swansea. A RCA Records ofereceu-lhe contrato e sugeriu a mudança de nome: compilou uma lista a partir de um jornal e encontrou “Bonnie Tyler”. O reconhecimento veio com “Lost in France”, que alcançou o nono lugar no Reino Unido. 

A voz que mudou por acidente 

O que tornou Bonnie Tyler inconfundível, sua voz rouca e grave, foi o resultado de um acidente.  

Em 1977, após uma operação para remover nódulos nas cordas vocais, Tyler gritou de frustração em um momento de raiva, alterando permanentemente o timbre de sua voz. Jim Steinman, compositor e produtor decisivo em sua carreira, descreveu-a como “sensual, mas devastada”. 

“Total Eclipse of the Heart”: a balada que definiu uma era 

Se há uma canção que resume o impacto de Bonnie Tyler, essa é “Total Eclipse of the Heart”. Lançada em 11 de fevereiro de 1983, a faixa foi composta e produzida por Jim Steinman, que inicialmente a havia começado para um musical baseado no filme Nosferatu (1922). A inspiração vampírica explica a atmosfera gótica da letra. 

A gravação contou com músicos de peso: Max Weinberg e Roy Bittan, da E Street Band de Bruce Springsteen, e o guitarrista Rick Derringer. A versão do álbum tem 6 minutos e 51 segundos; para o rádio, foi reduzida para 4 minutos e 30 segundos. 

O clipe e o impacto visual 

O videoclipe, dirigido por Russell Mulcahy, foi filmado no Holloway Asylum, em Surrey, Inglaterra. A estética gótica, com Tyler vestida de branco em meio a corredores sombrios, foi inspirada no filme Future World (1976).  

Números e reconhecimento 

“Total Eclipse of the Heart” vendeu mais de seis milhões de cópias no mundo, alcançou o primeiro lugar nos Estados Unidos por quatro semanas consecutivas e também liderou as paradas do Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Canadá e África do Sul.  

A canção rendeu a Tyler uma indicação ao Grammy de Melhor Performance Vocal Pop Feminina. Ela se tornou a primeira artista galesa a alcançar o topo da parada americana. 

Regravações e releituras ao longo dos anos 

A longevidade de “Total Eclipse of the Heart” se estende por décadas. Em 1995, Nicki French lançou uma versão dance que alcançou o segundo lugar nos EUA. 

Em 2017, o grupo Exit Eden, quarteto de metal sinfônico formado por Amanda Somerville, Anna Brunner, Clémentine Delauney e Marina La Torraca, incluiu a canção no álbum de estreia Rhapsodies in Black, lançado pela Napalm Records. A versão transformou a balada em uma produção épica com arranjos orquestrais e vocais operísticos. 

Em outubro de 2023, Doro Pesch lançou uma versão em dueto com Rob Halford, vocalista do Judas Priest, no álbum Conqueress – Forever Strong and Proud. A ideia partiu do próprio Halford, que declarou à Doro ter “sempre querido fazer essa canção” com ela. A releitura alcançou o 96º lugar na parada de singles físicos do Reino Unido. O videoclipe oficial foi dirigido por Mirko Witzki. 

Tyler mesma revisitou a canção: em 2003, gravou um dueto bilíngue com Kareen Antonn, “Si demain… (Turn Around)”, que alcançou o primeiro lugar na França. Em 2021, lançou uma versão clássico-dance com Alex Christensen e a Berlin Orchestra. 

A canção também se tornou fenômeno cultural: foi usada em Stranger Things, Grey’s Anatomy, Better Call Saul, Futurama e Glee.

 

Além do grande sucesso: uma carreira de resistência 

Bonnie Tyler nunca foi artista de um só hit. “It’s a Heartache” (1977) alcançou o quarto lugar no Reino Unido e o terceiro na Billboard Hot 100 dos EUA. Em 1984, veio “Holding Out for a Hero”, outra parceria com Steinman, incluída na trilha sonora de Footloose. 

Nos anos 1990, Tyler encontrou um segundo fôlego na Europa continental. O álbum Bitterblue (1991), produzido com Dieter Bohlen, Giorgio Moroder e Nik Kershaw, alcançou quatro vezes platina na Noruega. Foi nomeada Melhor Cantora Internacional no Goldene Europa Awards de 1993. Em 2013, representou o Reino Unido no Festival Eurovision da Canção com “Believe in Me”. Sua discografia conta com dezoito álbuns de estúdio. 

Bonnie Tyler - Bonnie Tyler morte

Legado e despedida 

Bonnie Tyler deixa o marido, Robert Sullivan, com quem se casou em 1973. Sua trajetória é um raro exemplo de artista que transformou uma limitação, sua a voz danificada por um acidente, em sua assinatura mais poderosa. De uma menina tímida de Skewen a uma das vozes mais reconhecíveis do rock, ela provou que a originalidade, mesmo quando imposta pelo acaso, pode ser o maior ativo de um artista. 

A morte de Bonnie Tyler aos 75 anos encerra um capítulo da música pop, mas não apaga o eco de uma voz que, por mais de quarenta anos, fez o mundo cantar junto. 

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