Luiz Carlini, um dos guitarristas mais importantes da história do rock nacional, morreu na noite de quinta-feira, 7 de maio de 2026, aos 73 anos, em São Paulo.
A informação foi confirmada pelas redes sociais do músico, sem divulgação da causa da morte.
A Perda de um dos Maiores Guitarristas do Rock Nacional
A morte de Luiz Carlini representa uma perda irreparável para a música brasileira. Considerado um dos maiores guitarristas do rock nacional, ele deixa um legado que atravessa décadas e influencia gerações de músicos.
O músico estava em plena atividade profissional. Integrava a turnê “50 Anos-Luz”, de Guilherme Arantes, quando passou mal após um quadro de infecção em abril de 2026. Após a confirmação da morte, artistas e bandas prestaram homenagens nas redes sociais, lamentando a perda
Da Pompeia aos Mutantes: Os Primeiros Passos de Luiz Carlini
Criado no Berço do Rock Paulistano
Luiz Sérgio Martins Carlini nasceu em 31 de agosto de 1952, em São Paulo, e foi criado no bairro da Pompeia, região que serviu como terreno fértil para a formação de uma das primeiras comunidades rockeiras do país.
Foi nesse ambiente que Carlini teve contato direto com o nascimento do rock psicodélico brasileiro, convivendo com os integrantes da banda Os Mutantes, que moravam no mesmo bairro.
Roadie de Os Mutantes
Antes de se tornar referência como guitarrista, Luiz Carlini atuou como roadie da banda Os Mutantes nos primeiros anos do grupo.
Essa experiência foi decisiva para a construção de sua identidade musical. O contato direto com a experimentação sonora de Sérgio Dias, considerado junto com Carlini um dos maiores guitarristas da geração, moldou sua compreensão da guitarra como instrumento de expressão artística.
Tutti Frutti: A Banda que Mudou o Rock Brasileiro
Fundador e Mentor da Formação
Em 1973, Luiz Carlini fundou a banda Tutti Frutti, ao lado de Lee Marcucci e Emilson Colantonio.
O grupo surgiu como uma das primeiras formações genuinamente roqueiras do país e rapidamente se tornou peça fundamental na carreira solo de Rita Lee, após a saída da cantora dos Mutantes.
A parceria entre Carlini e Rita Lee rendeu uma das fases mais marcantes do rock nacional dos anos 1970. Foram cinco anos de trabalho intenso, um compacto duplo, dois compactos simples, várias músicas em novelas, hits nas rádios, tours pelo Brasil e cinco álbuns feitos em conjunto.
Entre os discos mais importantes dessa fase estão Fruto Proibido (1975) e Entradas e Bandeiras (1976), considerados obras essenciais para a consolidação do rock brasileiro.
Autor de Músicas Icônicas ao Lado de Rita Lee
Luiz Carlini não era apenas o guitarrista da banda, ele assinou composições ao lado de Rita Lee que se tornaram clássicos da música brasileira. Entre elas, destacam-se “Agora Só Falta Você”, “Lá Vou Eu”, “Com a Boca no Mundo”, “Corista de Rock” e, é claro, “Ovelha Negra”.
O trabalho em Fruto Proibido ajudou a estabelecer uma nova sonoridade para o gênero no Brasil: uma mistura de blues, hard rock e elementos da Jovem Guarda, conduzida por riffs marcantes e solos carregados de emoção.

O Solo de “Ovelha Negra”: Uma Execução que Virou Referência Nacional
A História por Trás do Solo Mais Icônico do Rock Brasileiro
O solo final de “Ovelha Negra” tornou-se uma das execuções mais estudadas e reverenciadas da música brasileira. Segundo relatos da própria trajetória do músico, o solo não fazia parte da estrutura original da faixa e foi incluído durante as sessões de gravação na Companhia Industrial de Discos, no Rio de Janeiro.
Carlini gravou a performance em um único take, utilizando uma Gibson Les Paul Deluxe de 1968. O resultado combina construção melódica e tensão harmônica, com uso de tríades maiores e resolução gradual que intensifica o desfecho da canção.
Distante do virtuosismo excessivo, Luiz Carlini ficou conhecido por transformar a guitarra em extensão da narrativa das músicas. Seus solos buscavam dialogar com as emoções das canções.
Mais de 400 Discos e uma Carreira de Versatilidade Inigualável
Colaborações que Atravessaram Gerações
Após a fase clássica da Tutti Frutti, Luiz Carlini ampliou sua atuação como músico de estúdio e colaborador de diversas gerações do rock brasileiro. Sua discografia ultrapassa 400 participações em álbuns, com colaborações que incluem nomes como Erasmo Carlos, Titãs, Barão Vermelho, Supla, Camisa de Vênus, Guilherme Arantes, Lobão, Marcelo Nova, Rádio Táxi, Vanguart e até o vocalista internacional Eric Burdon, dos Animals.
A versatilidade fez dele um dos guitarristas mais requisitados do país por décadas. Pouca gente comenta, mas Luiz Carlini chegou a fazer alguns shows com o Capital Inicial na década de 1990, quando o guitarrista Loro Jones não estava presente.
Reconhecimento como Guitar Hero Brasileiro
O impacto de Carlini foi reconhecido pela crítica e pela indústria musical. Em 2012, ele foi incluído na lista dos 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão da revista Rolling Stone Brasil, na categoria “Muito Além do Rock”.
Entre os admiradores de seu trabalho está Roberto Frejat, que já citou Carlini como uma de suas grandes referências. Em 2023, sua trajetória foi documentada no filme Luiz Carlini – Guitarrista de Rock, dirigido por Luiz Carlos Lucena, reunindo depoimentos de nomes como Frejat, Pepeu Gomes e Andreas Kisser.

O Legado de Luiz Carlini na Guitarra Brasileira
A obra de Luiz Carlini atravessa diferentes fases do rock brasileiro, do psicodélico ao hard rock, sempre com uma assinatura técnica e melódica própria. Seu trabalho ajudou a estabelecer um vocabulário de guitarra que segue influenciando músicos de várias gerações.
Com uma Gibson Les Paul nas mãos, o músico desenvolveu uma assinatura sonora facilmente reconhecível. Mesmo após sair dos grandes holofotes, Carlini permaneceu ativo na música até seus últimos dias, provando que a paixão pela guitarra nunca esmoreceu.
A morte de Luiz Carlini, três anos após a partida de Rita Lee, em maio de 2023, fecha um ciclo doloroso para o rock brasileiro.
Com sua morte, o Brasil perde um dos arquitetos sonoros mais importantes de sua história no rock, o homem que, com uma guitarra nas mãos, soube transformar acordes em emoção e riffs em memória coletiva.
Amante de livros, músicas e filmes desde que me conheço por gente.
Livreira há muitos anos.
Criadora e redatora chefe do Meu Momento Cultural.
A minha vontade de dividir essa paixão, me trouxe até aqui.


