A música pesada perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas. Phil Campbell, guitarrista que durante 31 anos integrou o Motörhead ao lado de Lemmy Kilmister, faleceu na noite de 13 de março de 2026, aos 64 anos.
A notícia foi confirmada pela família através das redes sociais da banda Phil Campbell and the Bastard Sons, revelando que o músico não resistiu a complicações após uma complexa operação de grande porte, permanecendo em cuidados intensivos durante uma batalha considerada “longa e corajosa” pelos familiares.
Do País de Gales aos Palcos do Mundo
Philip Anthony Campbell nasceu em 7 de maio de 1961 em Pontypridd, no País de Gales. Sua trajetória musical começou precocemente: aos 10 anos já manuseava o violão, inspirado por guitarristas como Jimi Hendrix, Tony Iommi do Black Sabbath, Jimmy Page do Led Zeppelin e Michael Schenker. Aos 12, teve seu primeiro contato com o futuro parceiro de banda quando pediu um autógrafo a Lemmy após um show do Hawkwind, momento que, na época, parecia apenas um encontro casual entre fã e ídolo, mas que anos mais tarde se revelaria profético.
Antes de alcançar o estrelato, Campbell passou por formações locais. Aos 13 anos tocava semiprofissionalmente em uma banda de cabaré chamada Contrast, posteriormente integrando o pub-rock Roktopus. Em 1979, fundou o Persian Risk, grupo de heavy metal que lançou singles como “Calling For You” (1981) e “Ridin’ High” (1983). Foi durante esses anos que Campbell adquiriu sua primeira Les Paul em 1978, instrumento que se tornaria sua marca registrada, embora tenha sido roubado e posteriormente recuperado.
Três Décadas ao Lado de Lemmy
A entrada de Campbell no Motörhead ocorreu em fevereiro de 1984, após a saída de Brian Robertson. Lemmy realizou audições para novo guitarrista e, embora inicialmente planejasse contratar apenas um músico, acabou incorporando Campbell e Michael “Würzel” Burston simultaneamente, transformando o grupo em um quarteto. A estreia fonográfica de Campbell aconteceu no álbum Orgasmatron (1986), disco que marcaria o início de uma das parcerias mais duradouras do rock pesado .
Durante 31 anos, Campbell permaneceu como membro constante do Motörhead, participando de 16 álbuns de estúdio. Sua contribuição inclui riffs que se tornaram clássicos do gênero, como os de “Deaf Forever”, “Eat the Rich” e “Born to Raise Hell”. Ao longo de três décadas, acompanhou a banda através de diferentes formações, crises internas e renascimentos comerciais, estabelecendo-se como o guitarrista de maior permanência ao lado de Lemmy.
O fim do Motörhead veio de forma abrupta em dezembro de 2015, com a morte de Lemmy Kilmister, vítima de câncer. Mikkey Dee, baterista que integrava a formação desde 1992, anunciou imediatamente o encerramento das atividades, declarando que “não haveria mais turnês ou álbuns”, embora “o fogo sobreviva e Lemmy viva nos corações de todos”.
Uma Nova Era com os Bastard Sons
A aposentadoria nunca esteve nos planos de Campbell. Em 2016, formou o Phil Campbell and the Bastard Sons, projeto que reunia o guitarrista com seus três filhos: Tyla no baixo, Todd na guitarra e Dane na bateria. A formação teve origem durante uma jam session no aniversário de 30 anos de Todd, evoluindo de banda de covers para projeto original. O vocalista Neil Starr, posteriormente substituído por Joel Peters, completava a formação.
O grupo lançou quatro álbuns: The Age of Absurdity (2018), We’re the Bastards (2020), Live in the North (2023) e Kings of the Asylum (2023). Além disso, Campbell lançou seu primeiro álbum solo, Old Lions Still Roar (2019), contando com participações de nomes como Alice Cooper, Rob Halford do Judas Priest e Dee Snider do Twisted Sister, demonstrando o respeito que o guitarrista mantinha entre os grandes nomes do heavy metal.

O Legado e a Despedida a Phil Campbell
A notícia do falecimento de Phil Campbell gerou imediata repercussão na comunidade do rock e heavy metal. Mikkey Dee, parceiro de banda durante 23 anos, publicou homenagem emotiva nas redes sociais: “Ele era o cara mais engraçado que já conheci e o melhor guitarrista de rock com quem já toquei. Seu vibe e feeling pelo rock eram excepcionais. Escrevemos 12 álbuns de estúdio juntos e ele nunca deixou de me surpreender com seu talento extremo. Acima de tudo, vou sentir falta de conviver com o cara mais legal que você poderia conhecer”.
A família divulgou comunicado oficial destacando os papéis que Campbell mais valorizava: “Phil era um marido dedicado, um pai maravilhoso e um avô orgulhoso e amoroso, conhecido carinhosamente como ‘Bampi’. Era profundamente amado por todos que o conheciam e será imensamente saudado. Seu legado, música e as memórias que criou com tantos viverão para sempre”.
O guitarrista deixa discografia que abrange quase cinco décadas de heavy metal, desde os primeiros registros com o Persian Risk até os últimos trabalhos com os Bastard Sons. Sua passagem pelo Motörhead, especialmente, representa capítulo fundamental na história do gênero, tendo contribuído para a consolidação de um som que influenciou gerações de músicos. A solicitação de privacidade familiar durante o luto foi respeitada pela imprensa especializada e fãs ao redor do mundo.
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Livreira há muitos anos.
Criadora e redatora chefe do Meu Momento Cultural.
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